Posts com Tag ‘Transexuais’

Maite Schneider - No Fusca Show

Do Que Os Gays Gostam? Maite Schneider, atriz, depiladora e transex [já falamos sobre ela na coluna TRANSformando] e não é que ela foi entrevistada pela galera do No Fusca Show e arrasou, como sempre!

Maite é uma grande militante dos direitos gays, em especial dos Travestis e Transexuais e tem um site super bacana chamado Casa da Maite.

Confere aí o que rolou:

As transexuais alemãs têm muito o que comemorar. Em decisão única no tribunal alemão ganham o direito a implante de silicone custeado pelo seguro saúde mas apenas os casos onde o tratamento por hormônio não surta efeito ou alcance o tamanho de uma lingerie. Não para por aí! As transexuais também podem incluir no tratamento procedimentos cirúrgicos em órgãos [mesmo que saudáveis] para evitar algum sofrimento psicológico.

Não sei como é ser uma transexual, mas sinceramente tento me colocar no lugar delas e entender o tipo de sofrimento que é viver em um corpo que não condiz com seu gênero. Imagine olhar todo dia ao espelho e ver algo que desagrada? Não falo de probleminhas bobos como gordura localizada, espinha, estrias, etc… falo de algo ~muito~ mais complexo. Já viu o post da coluna TRANSformando dessa semana? Lá tem um vídeo incrível com a Maitê Schneider e sua luta para readequação de gênero.

Tudo iniciou com uma transex de 62 anos que teve o tratamento hormonal e cirurgia de mudança de sexo paga pelo plano de saúde, porém seus seios não cresceram em proporções femininas e a empresa se negou a pagar um implante de silicone.

A companhia perdeu a causa, abrindo precedentes para outras transexuais realizarem o implante de silicone caso o tratamento hormonal não dê certo.

E viva a diversidade sexual!

Hoje a Tia vai começar a falar dos procedimentos médicos, e da situação. Apenas uma introdução com pontos chave a respeito de tais procedimentos e da situação no SUS, com o tempo nós nos aprofundamos. A questão é complicada e não cabe em apenas um post. Teremos vários textos a respeito de cada parte do processo, dos direitos e procedimentos. E pode perguntar, que a Tia dá um jeito de responder.

O SUS oferece o processo transexualizador, ainda existem muitos obstáculos. Mas o primeiro passo para superá-los é saber o que estamos enfrentando.

O, e a, transexual tem direito aos tratamentos médicos, uma vez que estes são benéficos para a pessoa. Também é direito o uso do nome social, sendo possível indicar o nome a ser usando.

O acompanhamento terapêutico pode ser encontrado de forma gratuita, ou a preços populares, em faculdades que oferecem ambulatórios escola. O intuito do acompanhamento é propiciar bem-estar ao paciente, assim como o diagnóstico (falaremos mais sobre isso) e a avaliação da pertinência das cirurgias e da hormonoterapia. Lembrando que esta avaliação é feita por diversos profissionais, pois existem riscos, assim como outras cirurgias e tratamentos hormonais. A função da equipe de médicos é avaliar e decidir o melhor tipo de tratamento para cada pessoa, fazendo que o resultado seja mais satisfatórios e riscos sejam menores.

O acompanhamento pós-cirúrgico  deve se estender, por no mínimo, dois anos após a cirurgia. Em casos de hormonoterapia, o acompanhamento endocrinológico deve se estender por quanto tempo for necessário. Mesmo após a desvinculação do sistema de atenção, o paciente possui o direito de buscar acompanhamento psicológico e social pelo SUS.

Sabemos que direitos e realidade são coisas bem diferentes, assim como sabemos que o atendimento do SUS não é dos mais eficiente. Citei acima um resumo dos direitos aos tratamentos. Mas a demora no SUS pode ser grande. O atendimento digno é direito seu, mas sabemos que existem pessoas preconceituosas em diversos lugares. Elas são pequenos obstáculos. Procure indicações, e apoio, de centros de referência e ong’s LGBTT. Também é possível procurar a Secretária Municipal, ou Estadual, de Saúde. O atendimento à saúde da pessoa transexual é uma política pública, o que é responsabilidade da secretaria.

Entenda e cobre seus direitos. Só assim conseguiremos um maior avanço no tratamento para transexuais.

     Veja foto sem censura | +18

De todas as coisas envolvendo os trans, provavelmente a menos falada é a sexualidade. Não, transexualidade não diz respeito às mesmas coisas que homossexualidade, heterossexualidade, bissexualidade e etc. A transexualidade está ligada a identidade de gênero. Uma pessoa trans pode ser homo, hetero, bi, pan, assim como quem não é trans.

Calma, vem devagar. A Tia ajuda. Identidade de gênero diz a respeito à sua identificação, seu corpo, se você se identifica, feminino, masculino, andrógino, e mais infinitos nomes. Entre essas identificações de gênero estão os transexuais, pessoas que se identificam com o sexo oposto e adequam o corpo através de tratamentos hormonais e cirúrgicos. A sexualidade diz respeito a sua atração por outras pessoas, e a identidade de gêneros dessas pessoas.

Vale lembrar que não existem apenas homens e mulheres, um ou outro. Não só os transexuais, mas também travestis, andróginos, fogem à regra binária de identificação de gênero. Mas essa é uma discussão que teremos mais para frente, por enquanto vamos usar alguns dos nomes com os quais estamos acostumados.

Uma transmulher pode ser lésbica, da mesma forma que pode ser hetero, da mesma forma que pode ser bi, da mesma forma que pode ser pan, e por aí vai. O mesmo se aplica ao transhomem. Como já disse, a transexualidade diz respeito ao próprio corpo e identidade, e não está diretamente ligada a sexualidade.

A separação da sexualidade e da identidade de gênero é importantíssima. Essa separação que é responsável pela grande diversidade da comunidade LGBTT (LGBTTQIA, se vocês preferirem).

Tendemos a pensar que transexuais terão relações heterossexuais. “Se quer virar homem, é pra pegar mulher”. Dou um centavo pra quem achar os erros da frase, porque está muito fácil.

No fim das contas é tudo bem simples. Os trans são livres pra sentirem atração por qualquer pessoa, assim como quem não é trans. Identidade de gênero é uma coisa, sexualidade é outra. Não tem muita complicação. Nós é quem inventamos os obstáculos.

Agora você já sabe que identidade de gênero é diferente de sexualidade. Depois a Tia conversa sobre a identidade de gênero com vocês.

     [+18] Imagens completas: 1 Sword Series 1997 Mister 2005autorretratos por Loren Cameron.

Estamos mais acostumados com a “transição” do masculino para o feminino. Pouco se fala, publicamente, sobre homens transexuais. Se pouco se fala sobre os transhomens, menos ainda sobre as cirurgias e como ficam seus genitais. Uma transmulher pode fazer cirurgia para a “construção” de uma vagina. Mas como é o processo inverso? É possível? Eficiente? Um homem precisa de pinto?

Existem diferentes tipos de cirurgias e procedimentos, desde a remoção das mamas, retirada dos ovários e do útero, construção do pênis, alargamento do clitóris…

Como toda cirurgia, elas também apresentam riscos. Todas as focadas no pênis possuem suas desvantagens quanto ao resultado final, seja um pênis pequeno e de uso sexual limitado, um pênis aparentemente realista e com função sexual nula. Ainda vamos falar das cirurgias com mais detalhes, mas como sei vocês são curiosos fica o link do FTM Brasil.

Repetindo a pergunta, um homem precisa de um pau pra ser homem? E o que é ser homem?  No fim do dia tudo é mais uma questão de identidade do que de definições alheias. Algumas pessoas nascem com pintos enormes e se sentem mulheres, transmulheres. Algumas pessoas nascem com clitóris e se sentem incrivelmente homens.

Certo que a maioria dos transhomens não faz as cirurgias por elas não estarem desenvolvidas o suficiente, mas a ausência do pinto não os torna “menos homens”. Se é que existe alguém mais ou menos homem. Talvez apenas mais ou menos humano, mas isso é questão de respeito, preconceito e etc…

Como bem disse João Nery em entrevista ao Jô Soares, “Sou um homem sem pau”. Talvez esse seja um momento oportuno para questionar nossos conceitos de masculinidade. O tal homem sem pau é a prova de que o binarismo de gênero é uma ilusão. Uma ilusão criada, cultiva e reforçada por nós. A tal hombridade, palavra feminina, destaca as boas qualidade do homem e não o tamanho da mala. Segundo o dicionário a expressão diz respeito à dignidade, nobreza de caráter, entre outras qualidades atribuídas ao homem.

Esse culto sem fim a masculinidade, reflexo de uma sociedade machista, que coloca o pau como centro de tudo que faz um homem, é um erro. Um erro não só pela existência de transexuais, mas sim por subestimar a capacidade humana, por atribuir certos valores a coisa errada. O pinto tem seu lugar na vida de muitos de nós, não me entendam errado. Mas ele não define a existência de ninguém.

Acho necessária a evolução das cirurgias, da mesma forma que acho importante fortalecer o movimento “homens sem pau”. Assim, quando for possível ter um neopênis completamente funcional, a cirurgia passará a ser uma opção e não uma pressão social. O ideal é poder escolher entre ser um transhomem com ou sem pau.

E se existir alguém mais homem que alguém, digo que os transhomens são alguns dos homens mais homens que tive o prazer de conhecer. Deixo aqui as palavras de um deles.

Casal Gay registra filho na Argentina - Do Que Os Gays Gostam

Em caso inédito no mundo, casal gay registra filho na Argentina! Ah, você deve ser perguntar: ‘Mas isso não acontece em todos os lugares?‘; Não como nesse caso. Esse é o primeiro caso em que o registro civil aconteceu sem uma mediação ou decisão judicial.

O casal gay Carlos Grinblat e Alejandro Dermgerd registraram seu filho, Tobias, um bebê com um mês de vida e é fruto de  uma barriga de aluguel indiana.

Nossa única luta era por formar nossa família. É outro passo no reconhecimento dos direitos igualitários. Este é um caminho que começou há anos e um marco foi o casamento igualitário‘, disse Grinblat.

A Argentina tornou-se o 10º país no mundo a dar direito de casamento civil nacionalmente e o 1º da América Latina. Os outros 9 países são: Holanda, Bélgica, Espanha, Canadá, África do Sul, Noruega, Suécia, Portugal e Islândia.

A Presidente Cristina Kirchner em 21 de julho de 2010 promulgou a norma seis dias depois do congresso argentino votar e contam-se 5.839 casamentos gays em todo o país.

Para finalizar com chave de ouro, em maio do ano passado o país aprovou a lei de identidade de gênero, ou seja, travestis e transexuais podem registrar seus dados com se sentem.

Brasileiro adora tirar sarro de argentinos, seja no futebol ou em qualquer outro assunto. Maradona ou Pelé pouco importa quando falamos em direitos. Acho que nós brasileiros precisamos deixar de lado esse tipo de preocupação e nos interessar mais naquilo que realmente importa.

Semana passada comecei a coluna TRANSformando. Tivemos uma breve introdução do conteúdo que será discutido aqui. A minha intenção é aproximar, ao máximo, “nosso mundo” do “mundo trans”. Afinal, o mundo é um só, nós que é que nos separamos.

A segregação e o preconceito não são uniformes para e com a comunidade LGBTT, mas diferentes para cada letrinha. Sem contar o preconceito entre os LGBTT. Dentro desses “preconceitos específicos” existe a Transfobia, que segundo a Wikipédia “refere-se à discriminação contra as pessoas transexuais, travestis e transgêneros”.

Acredito que a transfobia seja o “novo grande preconceito”. Apesar do grande problema que ainda é a homofobia, a situação é menos pior. Da mesma forma que racismo ainda existe, mas a homofobia ainda é mais problemática, a transfobia é um problema maior que a homofobia.

Como divulgado pelo DQOGG, saiu o primeiro estudo a respeito do perfil das vítimas de homofobia no Brasil. Não há menção a transfobia, transexuais, travestis. São todos encaixados no binarismo de gênero, Homem e Mulher. O binarismo, que é problema para homens e mulheres gays, é um dos, senão O, grande obstáculo para os trans. São pessoas, que por natureza, desafiam as concepções criadas de masculino e feminino. Seus corpos são os dois ao mesmo tempo, eles transitam na multiplicidade e na diversidade que é o ser humano.

É a necessidade de “um ou outro”, e não a transexualidade, que gera a confusão. E a identidade de gênero não está, necessariamente, atrelada a sexualidade dessas pessoas. Uma mulher trans, assim como um homem trans e uma travesti, podem gostar de homens, mulheres, trans, de qualquer uma das letras da sigla ou de todas as letras da sigla. Mas a sexualidade fica pra uma discussão mais a frente, com um texto só pra ela.

A transfobia chega ao absurdo de deixar várias pessoas sem opção de emprego, em situações de constrangimento por apenas mostrar a identidade, serem chamados pelo nome de registro e não o nome social e a lista continua. Mas, na minha opinião, o pior de tudo é a transfobia por parte dos LGB’s. Pessoas que lutam por seus direitos, são agredidas pelo mesmo motivo, não respeitam a própria diversidade. Se queremos igualdade, que ela comece entre nós.

Todo e qualquer assunto dessa coluna pode, e será, tratado em vários textos. Essa é apenas a ponta do iceberg, um pedacinho do que é a transfobia. Talvez o suficiente pra te fazer pensar mais a respeito antes de entrarmos em maiores detalhes.