Posts com Tag ‘cirurgia’

Hoje a Tia vai começar a falar dos procedimentos médicos, e da situação. Apenas uma introdução com pontos chave a respeito de tais procedimentos e da situação no SUS, com o tempo nós nos aprofundamos. A questão é complicada e não cabe em apenas um post. Teremos vários textos a respeito de cada parte do processo, dos direitos e procedimentos. E pode perguntar, que a Tia dá um jeito de responder.

O SUS oferece o processo transexualizador, ainda existem muitos obstáculos. Mas o primeiro passo para superá-los é saber o que estamos enfrentando.

O, e a, transexual tem direito aos tratamentos médicos, uma vez que estes são benéficos para a pessoa. Também é direito o uso do nome social, sendo possível indicar o nome a ser usando.

O acompanhamento terapêutico pode ser encontrado de forma gratuita, ou a preços populares, em faculdades que oferecem ambulatórios escola. O intuito do acompanhamento é propiciar bem-estar ao paciente, assim como o diagnóstico (falaremos mais sobre isso) e a avaliação da pertinência das cirurgias e da hormonoterapia. Lembrando que esta avaliação é feita por diversos profissionais, pois existem riscos, assim como outras cirurgias e tratamentos hormonais. A função da equipe de médicos é avaliar e decidir o melhor tipo de tratamento para cada pessoa, fazendo que o resultado seja mais satisfatórios e riscos sejam menores.

O acompanhamento pós-cirúrgico  deve se estender, por no mínimo, dois anos após a cirurgia. Em casos de hormonoterapia, o acompanhamento endocrinológico deve se estender por quanto tempo for necessário. Mesmo após a desvinculação do sistema de atenção, o paciente possui o direito de buscar acompanhamento psicológico e social pelo SUS.

Sabemos que direitos e realidade são coisas bem diferentes, assim como sabemos que o atendimento do SUS não é dos mais eficiente. Citei acima um resumo dos direitos aos tratamentos. Mas a demora no SUS pode ser grande. O atendimento digno é direito seu, mas sabemos que existem pessoas preconceituosas em diversos lugares. Elas são pequenos obstáculos. Procure indicações, e apoio, de centros de referência e ong’s LGBTT. Também é possível procurar a Secretária Municipal, ou Estadual, de Saúde. O atendimento à saúde da pessoa transexual é uma política pública, o que é responsabilidade da secretaria.

Entenda e cobre seus direitos. Só assim conseguiremos um maior avanço no tratamento para transexuais.

               Veja foto sem censura | +18

Uma pessoa transexual precisa fazer cirurgias para ser considerado transexual? A pessoa só é transexual depois dos processos de hormonização e cirúrgicos? Essas perguntas remetem ao que é ser transexual, que na verdade é uma pergunta tão sem resposta quanto “porque somos gays”. Mas de qualquer forma, para estas perguntas em específico, acredito que a resposta seja não.

Já escrevi aqui sobre a questão da identidade, a transexualidade é uma identidade e não o resultado de tratamentos médicos, e muito menos “curável” via tratamentos médicos. As cirurgias e os tratamentos hormonais são ferramentas para adequação do corpo a identidade. O transexual possui uma identidade oposta ao seu corpo, logo o mais natural é buscar uma forma de adequar o corpo a essa identidade. Mas não são necessárias todas as mudanças. Necessárias são apenas aquelas que o transexual julgar necessárias.

Existem hoje, graças às falhas das cirurgias, muitos transhomens que não possuem pênis. Alguns nem retiraram o seios ainda. Isso faz deles apenas projetos de transexuais? De forma alguma! Existem transmulheres, que por opção, mantem o pênis e não constroem uma neovagina. Isso as torna apenas meio transexuais? De forma alguma!

Já falamos da separação entre genitais e identidade aqui. É bom lembrar que não é o pênis que faz o homem, assim como não é a vagina que faz a mulher.

Existem diversas ferramentas para os transexuais, elas estão ali para que eles possam utilizadas da forma que o transexual achar melhor. Lembrando que são tratamento médicos. Hormônios e cirurgias não vem cara, cor, sexualidade e nem identidade, apresentam riscos para todos os seres humanos. Todos os tratamentos devem ser feitos com acompanhamento médico para evitar complicações. Achar o médico certo pode não ser fácil, mas é melhor do que sofrer efeitos inesperados.

Um gay não se torna gay apenas depois de sair do armário. Da mesma forma, um transexual não se torna transexual depois de processos médicos.

Semana que vem a Tia volta para falar das cirurgias, da hormonoterapia e do SUS.