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Imagem original – Lea T para Vogue França

Não, isso não é um culto ao pinto! Já discutimos isso antes. Hoje vamos é falar da cirurgia de transgenitalização de masculino para feminino, a transformação do pênis em uma neovagina.

Ainda nos referimos a cirurgia como “cortar o pinto”, mas não é que acontece na realidade. Apenas os testículos são “cortados”. Existem diferentes métodos de cirurgia, e ela sofre alterações com o passar tempo, ela evolui. Já é um procedimento seguro e deixou seu caráter experimental.

Não existe um procedimento padrão, então vou falar de forma simplificada o que é feito. Detalhes de verdade, só com um cirurgião ou um médico com conhecimento a respeito.

 Basicamente é feita a inversão do pênis. São retiradas a partes consideradas desnecessárias para a construção da vagina e usadas as necessárias. A uretra, assim como os nervos, a pele do pênis, são mantidos para a criação de uma vagina funcional. Os  nervos e vasos de irrigação também são mantidos, para que haja a nutrição da pele e a transmulher possua sensibilidade. Também é construído o clitóris. A glande, “cabecinha do pau”, é usada em alguns métodos para criar o clitóris, mas outros métodos utilizam partes do canal urinário e utilizam a glande para simular a presença do útero.

O medo de muitas transmulheres é ausência de prazer após a cirurgia. Apesar da falta de estatísticas para mostrar as chances de se manter a sensibilidade, cirurgiões garantem que a sensibilidade, bem como a capacidade de se ter um orgasmo, é cada vez maior. A transgenitalização, hoje, não se preocupa apenas com o aspecto estético, mas também com o funcional.

O pós operatório pode incluir exercícios para a neovagina e a utilização de uma sonda vaginal. Isso é feito para garantir uma recuperação adequada, fazendo com que a neovagina mantenha tamanho e funções adequadas. Devido a retirada dos testículos, indica-se tomar hormônios para evitar problemas como osteoporose, perda muscular, insônia.

Hoje a cirurgia é um procedimento seguro, legalizado e é direito das transmulheres. Deve ser feito apenas com especialistas e em locais apropriados, só assim a neovagina terá grandes chances de sucesso. Se informe, procure um bom médico, procure apoio e informações em ongs e núcleos LGBTT.

E deixo com vocês o relato de Maitê Schneider, uma das pessoas mais incríveis que tive o prazer de conhecer.


Hoje a Tia vai começar a falar dos procedimentos médicos, e da situação. Apenas uma introdução com pontos chave a respeito de tais procedimentos e da situação no SUS, com o tempo nós nos aprofundamos. A questão é complicada e não cabe em apenas um post. Teremos vários textos a respeito de cada parte do processo, dos direitos e procedimentos. E pode perguntar, que a Tia dá um jeito de responder.

O SUS oferece o processo transexualizador, ainda existem muitos obstáculos. Mas o primeiro passo para superá-los é saber o que estamos enfrentando.

O, e a, transexual tem direito aos tratamentos médicos, uma vez que estes são benéficos para a pessoa. Também é direito o uso do nome social, sendo possível indicar o nome a ser usando.

O acompanhamento terapêutico pode ser encontrado de forma gratuita, ou a preços populares, em faculdades que oferecem ambulatórios escola. O intuito do acompanhamento é propiciar bem-estar ao paciente, assim como o diagnóstico (falaremos mais sobre isso) e a avaliação da pertinência das cirurgias e da hormonoterapia. Lembrando que esta avaliação é feita por diversos profissionais, pois existem riscos, assim como outras cirurgias e tratamentos hormonais. A função da equipe de médicos é avaliar e decidir o melhor tipo de tratamento para cada pessoa, fazendo que o resultado seja mais satisfatórios e riscos sejam menores.

O acompanhamento pós-cirúrgico  deve se estender, por no mínimo, dois anos após a cirurgia. Em casos de hormonoterapia, o acompanhamento endocrinológico deve se estender por quanto tempo for necessário. Mesmo após a desvinculação do sistema de atenção, o paciente possui o direito de buscar acompanhamento psicológico e social pelo SUS.

Sabemos que direitos e realidade são coisas bem diferentes, assim como sabemos que o atendimento do SUS não é dos mais eficiente. Citei acima um resumo dos direitos aos tratamentos. Mas a demora no SUS pode ser grande. O atendimento digno é direito seu, mas sabemos que existem pessoas preconceituosas em diversos lugares. Elas são pequenos obstáculos. Procure indicações, e apoio, de centros de referência e ong’s LGBTT. Também é possível procurar a Secretária Municipal, ou Estadual, de Saúde. O atendimento à saúde da pessoa transexual é uma política pública, o que é responsabilidade da secretaria.

Entenda e cobre seus direitos. Só assim conseguiremos um maior avanço no tratamento para transexuais.

Lea T para a revista Hercules

Já faz um bom tempo que a modelo Lea T sonhava com a cirurgia de readequação sexual, e finalmente ela realizou esse sonha na Tailândia! Apesar de que a top model já havia tentado fazer cirurgia no ano passado, mas por conta de uma anemia foi obrigada a adiar até seu organismo se restabelecer.

Pelo que dizem, a cirurgia foi realizada há 3 semanas em um hospital 5 estrelas na Tailândia [RYCAH] e ainda permanece no país acompanhada por seus familiares, mas deve voltar para o Brasil dentro de pouco tempo!!!

Parabéns a Lea T, não apenas por realizar seu sonho, mas por ser [querendo ou não] uma porta voz das transexuais do mundo todo. Uma mulher linda, profissional de sucesso, e uma pessoa digna!!!

Viva as Trans!!!

Confira AQUI a entrevista de Lea T para Marilia Gabriela