Especial Dia das Mães: Uma mãe fala sobre seu filho gay!!!

Publicado: 13/05/2012 por @peagapenalvez em Matéria Especial
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Ser mãe é algo incomparável dizem às mulheres que pariram. Eu não sei exatamente do ponto de vista uterino, pois meu útero tem síndrome de Peter Pan, mas isso não me impediu de ter um filho ou sentimento maternos, pois gesto um no meu coração. Digo ‘gestar’, porque no coração ele estará para sempre, independente da idade, da vontade, é um processo ao contrário do parir. Ele é concebido diariamente, alimentado pelo meu amor, acarinhado gradualmente.

Quando conheci meu anjo, ele ficou meio receoso, no susto, e quase aos gritos falou assim;

Eu gosto de meninos!‘. Minha reação foi a mais simples de toda, nem dei bola. Ele ficou completamente confuso, achando que eu não sabia lidar com aquela informação! Insistiu tanto no assunto que lhe falei: ‘Eu posso ser sua mãe?‘ Saber que era gay não era minha prioridade. Mesmo por que ele não precisa me dizer que era gay, apesar dele não ter trejeitos, o que eu queria era ser mãe dele, gay ou não!

Ele tem uma mãe bacana, mas eu achei conveniente ser mãe dele também. Ele sabe que pode contar não só com uma, e sim com duas. Isso não quer dizer que eu queira usurpar o lugar dela, ou que minha maternidade seja algo irresponsável, reclamo sim, dou conselhos, sofro juntamente com ele quando lhe acontece algo ruim, quando é irresponsável, quando briga com o namorado, quando é sacaneado pelos ‘amigos’, quando escreve ou posta fotos na internet. Não sou de pegar no pé, mas reclamo bastante quando ele está na fase balada, bebedeiras, não dorme cedo, sair sem se alimentar, largado, ansioso, enfim coisas normais de mãe.

O fato ser gay, não altera em nada no meu sentimento de mãe, mas as preocupações são enormes, com a saúde, com o relacionamento, ele é muito sensível, ainda é muito inocente, é muito crédulo, coisa de librianos. Meu maior medo é com a violência, preconceito, não seria algo fácil vê-lo sofre algum tipo de violência, sofro quando leio que um gay foi agredido, sempre me coloco no lugar de mãe.

A problemática dessa história é o seguinte; sei muito sobre o mundo gay. Vai saber por que eu tenho essa visão aguçada, saco tudo! Ser assim tem horas não é muito legal, gostaria de ser ignorante às vezes, sofreria menos, mas não uso essas informações sempre, seria interferir na vida de vocês de forma abusiva. Mas, não deixo de comentar, ele sabe que sei, e dependendo da situação ele rir do meu gay interior.

A minha maior preocupação não só com o meu anjo, mais com os gays do mundo é a essa luta diária para garantir um direito já concebido, o de existir. Se uma mãe botou no mundo um filho, independe dele ser gay, hetéro, travestis, pan, transexual, problemático ou vagabundo, não importa… é filho. Não aceito ser julgado, desrespeitado pela própria mãe? Mãe tem que garantir proteção do filho, o mundo pode conspirar contra ele, mais sua mãe não.

Ainda não entendo porque discutir a sexualidade do filho seja algo relevante, sendo que pai e mãe tem educar, alimentar, orientar e amar seus filhos. Um amigo do meu filho me fez essa pergunta; “se fosse realmente mãe de um gay, aceitaria assim naturalmente?”. Finco o pé e afirmo sem a menor dúvida que aceitaria sim. Não seria diferente do que sou! Não agiria de outro jeito se não cuidando, orientando, meu filho não passaria por situações complicadas, ele nunca experimentaria o desgosto de rejeição materna. Não iria brincar de pique esconde também! Hahahaha…

O que vejo é o excesso religioso, interferindo de maneira cruel na vida das pessoas, a interferência política e religiosa é injusta, pois interfere no direito legal da existência à vida. Vejo grandes documentários desconstruindo mitos religiosos. Decifrando paradigmas, colocando em confrontos ideias preconcebidas. Mas tudo isso não está ao alcance da população, são reproduzidos conceitos ultrapassados, perversos usando como pano de fundo o gay. Deus não julga quem mata, rouba, explora, estupra , engana, usa seu nome em beneficio próprio, mas que ama o mesmo gênero está condenado, não importa quanto esse amor seja digno!

Meus filhos são vocês e quem mais quiser ser! Mesmos aqueles que tenham uma mãe bacana, eu sou assim com mania de ser mãe, azar do meu útero, afinal acho que sou privilegiada, não tenho estrias, cicatrizes, e meus filhos não precisam esperar nove meses para nascer, são concebidos no meu coração!

Acredito que não deveria tem que explicar que gay nasce e não é opcional, ou reversível como é divulgado bestialmente por insanos religiosos, políticos e até psicólogos, mas ainda se faz necessário sim. LGBTTs tem um longo caminho para percorrer e se entende e fazer-se entender nesse mundo hipócrita em que vivemos.

comentários
  1. Louis disse:

    Lindíssimo…

  2. Ritinha Lima disse:

    Meus meninos!
    Olhe eu aqui!
    Estou lendo somente hoje. Estava sem internet.

    Pensou e sou extamente assim uma quase ‘mãe’!

    Beijinhos!

  3. […] Leia essa matéria especial com a Ritinha, leitora do blog, onde fala sobre ser mãe. […]

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