MAXturbação Mental #37

Publicado: 24/09/2011 por Max Castro em MAXturbação Mental
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A HISTÓRIA DE PAULO. 

Continuação…

No decorrer dos anos, Paulo foi adquirindo amigos dos mais diversos segmentos da sociedade.  Ele jamais fez distinção com relação à origem das pessoas.  Para ele o que importava era a amizade em si.

Os amigos solteiros (as), com o tempo, arrumaram namorados (as), ou se casaram.  E com isso veio a amizade com seus respectivos (as) por conseqüência.  Da mesma forma que os amigos sabiam que Paulo era gay, seus respectivos (as) também sabiam.  Apesar de alguns dos amigos que tinha feito em função dos namoros e casamentos dos amigos, ele sabia que alguns eram declaradamente homofóbicos.  Com o tempo, os ditos homofóbicos, começaram a ver que Paulo não era o estereótipo ao qual todos foram condicionados desde pequenos a evitar.  Surge então o respeito e as amizades tornaram-se sólidas.

Churrascos na casa dos casais ou na casa da família dos casais tornaram-se comuns.  Paulo também gostava de receber seus amigos em sua casa.  Pelo menos uma vez por semana todos se reuniam pelo simples prazer da companhia uns dos outros.  Em momento algum ele se sentia discriminado ou alvo de preconceito por ser gay.  Muito pelo contrário, todos sempre faziam questão da presença dele em qualquer tipo de reunião de amigos que fosse acontecer.

Durante todo esse tempo, Paulo sempre esteve sozinho, não tinha namorado.  Sendo assim, sempre estava sozinho na presença dos amigos e nunca na companhia de alguém.  As pessoas se acostumaram com isso e passaram a ver Paulo como um hetero e não como gay.  Os ditos homofóbicos não se cansavam de afirmar que ele era hetero, que ainda não havia encontrado a mulher da vida dele.  Paulo ouvia aquilo e achava engraçado.  Entrava na brincadeira e tudo se tornava uma grande piada.

Até então, Paulo se sentia bem entre eles e acreditava que era aceito e respeitado por todos.  Mas foi em um churrasco na casa de um dos casais hetero que as coisas se mostraram totalmente diferentes.

Vânia, esposa de Fernando (dito ex homofóbico), organizou um churrasco para os amigos que se formaram com ela na faculdade.  Claro que Paulo foi convidado, mesmo não fazendo parte da turma de formandos.

Paulo chegou cedo, e alguns convidados já estavam lá.  Os demais foram chegando no decorrer do dia.  Sem exceção, todos os homens que chegavam ou já estavam lá eram gays.  A casa deles parecia mais um encontro de amigos gays.

Um deles chamou a atenção de Paulo.  Porém, em função do número de pessoas e das várias cervejas que já tinha tomado, não teve a oportunidade de conversar com o rapaz.  Acabou sentando-se ao lado de outro e conversando durante um tempo.

O rapaz tinha bom papo, era inteligente, e isso chamou a atenção de Paulo.  Aos seus olhos, o rapaz que não era tão bonito quanto o primeiro, tornou-se alguém bonito de dentro para fora.

No decorrer do churrasco, Paulo acabou dando um beijo no rapaz, e foi visto por Fernando.

O beijo aconteceu dentro da casa deles.  Exatamente na porta de um dos quartos.  O beijo não foi nada fora do comum.  Apenas um beijo, eles nem se tocavam.  Lábios colados, corpos separados.

Fernando sai de um dos quartos e vê a cena.  Não diz nada além de “Opa!”.  Mas Paulo entendeu o recado.  Foi para fora com os demais convidados sentindo-se um lixo.  Não se conformava com o que havia acontecido.  Não pensou em outra coisa a não se em ir embora.  E foi exatamente o que fez.  Saiu de lá e voltou para casa.

Ficou claro que Fernando não gostou do que viu.  Nem um pouco.

Na volta para casa, Paulo veio pensando no que ocorrera e analisando friamente a situação.  Até então, todos sabiam que ele era gay, mas nunca o haviam visto com outra pessoa.  A pessoa que se dizia ser seu amigo, que dizia ter perdido a homofobia depois que o conhecera, estava se portando como um verdadeiro homofóbico.

Essa história tomou proporções extremas.  Segundo Vânia, seu marido Fernando realmente não gostou do que viu e que a homofobia dele havia voltado.

Vânia fez questão de ligar para todos os amigos e relatar o ocorrido.  Ela achou uma falta de respeito o que Paulo havia feito.  Como esperado, todos os amigos ficaram do lado de Paulo, entenderam que não foi nada proposital, que aconteceu uma coisa que hora ou outra aconteceria, afinal de contas sabiam que Paulo era gay, e que estava solteiro, mas que um dia com certeza teria um namorado.

Paulo pensou em ligar para Fernando e pedir desculpas caso ele tivesse se ofendido com o que viu, mas resolveu que não ligaria, porque pedir desculpas do ocorrido, seria o mesmo que pedir desculpas por ser gay.  Além do mais, foi somente um beijo.

CONTINUA…

Super mega beijo a todos.

Max Castro.

comentários
  1. hjoseph disse:

    ai meudeus, no q isso vai dar, q tenso,eu tenho vários amigos heteros(na verdade só tenho amigos heteros ,q eu saiba) eles sabem q sou gay ,mas tbm nunca fiz nada assim na frente deles! será q se eu ficar com alguém na frente deles eles vão ficar com raiva??… queria saber se essa história é verdade!porq ta parecendo a minha…

  2. Ritinha Lima disse:

    O povo mistura as coisas, acha que gay tem que ser igual da novela. Ele não beija, não namora e quando paquera é escondido. Quem tem amigos gays sabe que ele vai paquerar e beijar, falar algumas besteiras depois de alguns drinques. Aqui na minha casa meus amigos têm total liberdade.
    No caso do Paulo, parece que o casal queria transformá-lo em hetero.

    Resumindo o Paulo não merece esses amigos!

    Beijinhos Lindo!

  3. Zheos disse:

    Eu não sei se rio ou se fico com raiva. A hipocrisia humana é impressionante sabiam?

    Tá certo que o Paulo nunca namorou, se sentia sozinho mas poxa, isso lá é motivo pra querer dizer “Meu marido viu ele se beijando com outro rapaz na nossa casa!” pros amigos?

    As pessoas estão acostumadas aos gays afeminados e, quando vêem um que de afeminado não tem nada, já vão dizendo “Não, ele é hétero, num é viado.”

    E não foi uma pegação, foi apenas um beijo. Lábio com lábio, só isso. Até onde vai a hipocrisia humana, pergunto eu.

  4. Nemo disse:

    1 min

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