Peagá Entrevista: Justo Favaretto

Publicado: 30/01/2011 por @peagapenalvez em Diversão
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Querido leitores, a partir desse domingo o TOP5 será publicado quinzenalmente, alternando com entrevistas de personalidades aqui em nosso querido DQOGG. Depois de muita pesquisa, achamos interessante agregar mais uma coluna aqui, porém de entrevistas. Espero que gostem. BEIJOS.

Justo Favaretto Neto, 50, é empresário, gay, e faz parte da Frente GLBTT.

Como começou a sua luta pelos direitos de gays e lésbicas?
Começou justamente quando fui vítima da agressão homofóbica cujo processo culminou na primeira multa contra um  homofóbico com base na lei Paulista 10948. Naquele momento comecei a me defender e procurar contribuir para a defesa de todo aquele(a) que se encontra na mesma situação de  vítima (mesmo que em  potencial) da homofobia, muito embora, o correto seria considerar que esta luta começou verdadeiramente na primeira reação de descontentamento diante de uma situação homofóbica, por mais “sutil” e “simbólica” que tenha sido, porque desde que me assumi homossexual perante a sociedade foi que começaram as agressões e só depois de algum tempo comecei a reagir.

Você ganhou na justiça uma ação por terem te chamado de viado em um posto de gasolina. Como lidar com esse tipo de agressão moral?
Quanto a ação na justiça , ocorreu que quando fui abastecer meu veículo, um sujeito fez gracejos homofóbicos, demosntrei que não gostei e a agressão aumentou, ele me chamou de veado, me jogou uma latinha de cerveja e disse que não gostava de veado. Chamei a polícia, abri um B.O  entrei com a lei 10948 , tive ganho de causa e ganhei também por danos morais.

O primeiro e mais importante passo é ter a consciência que você não precisa passar por isto. Que tem o direito de ser respeitado,   que há legislação para defendê-lo e fazer uso da mesma. É importante  ter a consciência que você não é menor por ser homossexual e muito menos por ter sido agredido. Menor é o agressor, não você. Ter isto em mente é importante para a autoestima!

Fale um pouco sobre o seu trabalho na Frente GLBTT?
Faço um trabalho bastante focado na mídia, pois acredito que ela pode ser nossa maior “aliada” assim como pode ser nossa maior “inimiga”, dependendo de nossas reações frente à mesma. Este trabalho é semelhante ao da GLAADS norte Americana, resguardando-se , naturalmente as devidas proporções. Faço um trabalho constante de divulgação de lei 10948, juntamente com um trabalho de conscientização do cidadão não hétero para que este procure se defender da homofobia. Quero aproveitar a oportunidade para convidar  quem se interessar a juntar-se a nós com o trabalho da frente glbtt, o trabalho consiste apenas em enviar e mails, é rápido, simples e com resultados excelentes. Interesados devem escrever para : frenteglbtt@gmail.com e manifestar seu interesse. Salientamos que a pessoa pode deixar o grupo quando quizer e participar das ações que quiser, não há custo, nem necessidade de se deslocar, nem obrigatoriedade de  participar de todas as ações.

Você tem muitos contatos com o senado, como você acha que será o desenrolar da votação da PLC 122? Ainda temos chance de coloca-lá em ação?
Meus contatos com os senadores são os que todas pessoas têm ou podem ter, que são pelo 0800, telefone dos gabinetes, via correio e etc. Quanto ao plc 122, sim, existe a possibilidade de retomada de tramitação. Atualmente ele se encontra arquivado por obediência ao regimento interno do  senado, porém, pode sim ser desarquivado e voltar a tramitar e para isto precisamos de um novo relator(a), da assinatura de 1/3 dos senadores solicitando o desarquivamento, quando irá a plenário, onde  deverá também ser aprovado este requerimento. É complexo, mas possível.

Como uma pessoa comum pode ajudar na luta pelos direitos LGBT?
Tenho plena convicção que a maior contribuição que uma pessoa pode oferecer à luta pelos direitos LGBT é no cotidiano, não aceitando manifestações homofóbicas , desde um termo chulo, uma piadinha, um programa de tv. A pessoa que não compactua com o riso diante de uma piada que satiriza o homossexual, que não utiliza e deixa claro não concordar com um termo chulo para se referir ao homossexual, não assistindo um programa que faz piada homofóbica, estará oferecendo uma contribuição simples, eficaz e duradoura. Se a pessoa for homossexual e demonstrar que não concorda em ser discriminada é uma contribuição e um começo excelente para o início de um ativismo importante.

Atualmente há diversos casos de bullying vindo a tona. Como um educador e os pais devem agir se seus alunos/filhos estiverem sofrendo por conta disso?
Os pais devem exigir da escola que haja capacitação dos professores para lidar com o assunto. Deve dirigir-se à escola e cobrar da direção que haja um trabalho  promovendo o respeito às diferenças. Os educadores, incluindo a direção, devem exigir da Secretaria da Educação que a mesma proporcione esta capacitação. O mais importante é não se calar e deixar claro para a vítima que ela não está só, que ela merece e será respeitada. Este apoio à vítima é muito importante para que não fique sequelas , assim ela própria se sentirá fortalecida para impor respeito. Para isto é importante que haja cumplicidade entre aluno e seus pais e professores, além de uma possibilidade constante de uma  comunicação aberta e franca.

A Rede Globo colocou no BBB uma transexual, que saiu logo na primeira votação do público. Em sua opinião, isso reflete o preconceito do brasileiro que prefere fingir que não vê que gays, e as lésbicas e os transgêneros existem?
É possível que sim. Importante salientar que não podemos ser neuróticos achando que tudo é preconceito, nem podemos ser ingênuos achando que não há preconceito. Como a homofobia é  permitida e até estimulada em nossa sociedade, nunca podemos descarta-la. A homofobia deverá ser sempre uma hipótese a se considerar, podendo, eventualmente não ser a causa.
No caso da transexual, penso que ela foi colocada no programa como “mico de circo”, porém , houve a possibilidade de visibilidade e também a possibilidade de se discurtir a homofobia, mesmo que hipoteticamente. Penso que a emissora perdeu a oportunidade de se discutir o assunto se a moça fosse mantida na casa.
Eu, pessoalmente, acredito que tenha sido homofobia sim, pois o público deste programa   já se mostrou   homofóbico no caso do Dourado.


comentários
  1. Ritinha Lima disse:

    Gente,

    Gentileza e compromisso verdadeiro com a causa, esse é Justo Favaretto.

    Um orgulho mediar essa entrevista!

    Parabéns Pê!

    Obrigada Justo.

  2. Ops, esqueci de dizer que quem nos ajudou a conseguir essa entrevista foi a nossa RAINHA, Rtinha.

  3. Riik F. disse:

    Ameei !! Nota 10 essa entrevista !!

    Beijoss ❤

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