TRANSformando: Infância

Publicado: 08/10/2012 por @BechaMa em TRANSformando
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Imagem do filme Tomboy, de Céline Sciamma

Dia das crianças chegando, então vamos falar de infância?

Na infância ainda estamos nos formando como seres humanos, não sabemos do que gostamos, estamos aprendendo sobre o que é o mundo. É nessa fase que muitos aprendem o preconceito, outros aprendem que ser eles mesmos é errado, e um número crescente de pessoas aprende a respeitar.

E então me vem a pergunta, como é a infância de uma criança trans? Não tenho muitos relatos de infância, mas os que conheço são, de certa forma, parecidos. O exemplo mais constante é vontade de brincar e vestir roupas do, dito, “sexo oposto”. Um exemplo também comum entre lésbicas e gays. Alguns dizem que já se sentiam diferentes, outros queriam fazer xixi de pé e outros queriam fazer xixi sentados. As coisas que desde pequenos somos ensinados a encarar como de homem e de mulher.

Essas ações das crianças são naturais, mas muitas delas são reprimidas. É o binarismo de gênero tentando forçar cada um a “ficar no seu lugar”. Mas então vem a pergunta: “Não é o binarismo de gênero que força a escolha trans?” Primeiro de tudo, Transexualidade não é escolha, assim como homossexualidade. E agora vai a minha opinião, meu ponto de vista, vamos deixar isso bem claro. Ok? Eu acredito que a expressão da sexualidade, da identidade de gênero e de suas inúmeras combinações, pode acontecer em qualquer etapa da vida. Isso vai depender da repressão, do preconceito, das referências e da abertura que se tem. Diferentes pessoas assumem em épocas diferentes.

A nossa performance de gênero depende das referências que temos, do modelo que a sociedade usa. Nós vivemos em um mundo majoritariamente binário com relação aos gêneros, logo as expressões tendem a seguir esse padrão. “Se nós tivéssemos maior diversidade de gêneros, os trans existiriam?” Tenho certeza que sim, mas as expressões seriam ‘de acordo’ com tal diversidade. A expressões das crianças só mostra o quão natural isso é. Nascemos sem saber o que é homem e mulher, mas somos ensinados desde o começo de nossas vidas. Nos dizem o que é coisa de mulher e o que é coisa de homem.  Nos dizem se somos homens ou se somos mulheres. Mas, apesar de ainda não sabermos ao certo, às vezes nos sentimos diferentes daquele padrão e agimos, naturalmente, de forma diferente. A naturalidade com que fazemos isso na infância é uma grande prova da naturalidade dessa diversidade. Pois se fosse algo aprendido, milhares de gay, lésbicas, transexuais, travestis, seriam heterossexuais que se encaixam perfeitamente no binarismo de gênero, pois é isso que somos ensinados. E vale lembrar que muitos heterossexuais também fogem ao padrão binário de gênero.

Só passamos a ter senso crítico quando crescemos, amadurecemos. Mas com o tempo também somos contaminados por pré-conceitos, sem nem saber o motivo de sua existência.

Deixar que as crianças de hoje cresçam sem as distorções com as quais crescemos, deixando que elas se expressem livremente, sem separar o que é de menino do que é de menina, é chave para uma sociedade com mais liberdade, mais respeito, e talvez a única maneira de conhecer a real diversidade humana.

Não sei quanto a vocês, mas sinto que mesmo com toda a diversidade que já temos, ainda nos limitamos demais.

 

comentários
  1. caiocarlini disse:

    Concordo com o binarismo citado. Acho que ele é a causa de grande parte do preconceito. O que eu acho curioso, é que muitos gays se sentem vítimas de discriminação, mas não ligam de discriminar ou ridicularizar transsexuais! Reclamam de uma coisa e fazem igual?

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