TRANSformando: Ela ou Ele?

Publicado: 24/09/2012 por @BechaMa em TRANSformando
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Apesar de sabermos que os gêneros não são binários, a língua acaba nos forçando a escolher como chamar alguém. Se usaremos pronomes femininos ou masculinos. Mas aí que surge a dúvida, como  lidar com as diversas identidades de gênero?

Bom, por enquanto está relativamente “fácil”. Como o binarismo ainda é muito forte, a maioria das pessoas acaba se forçando a escolher uma identificação feminina ou masculina. E nesses o nome, social, costuma ser o suficiente para sabermos como nos referir. Mas já existem casos de pessoas que não se identificam com essa regra de masculino e feminino, um bom exemplo é Laerte. Mesmo lendo em vários lugares, até falando, “o Laerte”, “Ele”, “o cartunista”, Laerte não se identifica com estes padrões binários. E se for pra ser bem sincero, eu também não. Gosto de roupas, em sua maioria, ditas masculinas, mas adoro misturar os guarda roupas e amo um bom salto alto, assim como uma “bolsa feminina”, uso a “identidade masculina”, pois é com ela que mais me identifico nesse sistema binário. Mas com essa minha identidade dupla, “O Guilherme” e “A Becha Má”, acho que encontrei meu melhor “meio termo”.

Quando falo de Laerte, utilizo palavras sem gênero especifico ou não utilizo. Como neste texto, é sempre o nome sem “do”, “da”, “ele”, “ela”, é “de Laerte” ou “Laerte”. É uma saída falha, pois nos leva a repetir o nome diversas vezes, mas, ao meu ver, é o que a língua nos permite.

Outra grande questão nesse “Ele ou Ela” são as travestis. Transexuais nós chamamos pelo nome social, o nome da identidade de gênero. Já no caso das travestis, costumamos desafia-las. É muito comum no depararmos com um “O”, um “DO” ou “DELE” escritos de todo tamanho para se referir às travestis. Travestis usam nomes sociais femininos, logo devem ser tratadas de forma feminina. A travesti, DA travesti, DELA.

As únicas pessoas que realmente se encaixam no binarismo de gênero são aquelas que se encaixam no padrão de homem e de mulher. E cada vez mais pessoas não sentem identificação com esse padrão limitado. Acredito que jamais conseguiremos categorizar todas as identidades, pois as possibilidades são infinitas. Devemos buscar uma forma de ser livres, sem precisarmos de nos definir como masculino ou feminino. A língua, assim como as normas sociais, foi inventada por nós, e sempre formos capazes de muda-las. Não podemos ignorar essa capacidade, pois ambas precisam de reformas.

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