TRANSformando: O Exagero(?)

Publicado: 17/09/2012 por @BechaMa em TRANSformando
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Perdi a conta de quantas vezes ouvi “Mas precisa vestir de mulher? Aí já é demais!”. Você provavelmente já ouviu inúmeras vezes. Seja dirigida a travestis, transexuais, essa é uma das maiores demonstrações da falta de conhecimento. Tanto do universo LGBTT(adicione aqui sua letrinha), quanto do universo dos trans.

A ideia básica é que ser Travesti, ou Transexual, é o próximo passo para quem é homossexual, como se fosse uma evolução. Isso parte do princípio que homossexualidade é alguma coisa que muda, que cresce e que pode ser revertida. Essa evolução parece óbvia e natural para muitas pessoas, inclusive as representadas pela sigla. Mas por qual motivo?

A homossexualidade já é encarada como a mudança da heterossexualidade de alguém. Vivemos em um sociedade heteronormativa, onde todos nascemos heterossexuais e temos nossa sexualidade “desviada”. Graças a falta de aceitação, se assume por partes e em fases os “desvios da norma”. De hetero se passa para gay, depois para travesti e então transexual. Mas essa passagem é distorção completa da realidade. E mesmo quando essa “transição” acontece, é por pura imposição social. O preconceito inibe até que a pessoa se canse de viver como quem não é. Não criamos apenas a falsa ilusão de que esse é o processo padrão, criamos o processo.

Homossexualidade diz respeito a sexualidade da pessoa, enquanto travestilidade e transexualidade dizem respeito a identidade de gênero. São coisa diferentes e independentes.

Muitos gays e lésbicas também veem a transexualidade e travestilidade como um exagero, algo desnecessário. Justamente aqueles que deveriam respeitar a diversidade. Esta é a parte mais triste do preconceito. Mas é bom lembrar que para o homofóbico(zinho de merda), gays e lésbicas também são “um exagero”. Aceitamos as diferenças, desde que sejam iguais às nossas. Perceber, assumir e mudar isso é fundamental para acabar com a transfobia, assim como a homofobia.

O exagero de verdade é acreditar que podemos julgar alguém por simplesmente existir. Pois é isso que transexuais e travestis fazem, existem. É o que querem ter o direito de fazer, o direito de viver. O resto são apenas questões sociais, valores, crenças… A partir do momento que deixamos as condições de nascimento, como sexualidade, identidade de gênero, genitais, todo o resto é aprendido. Nós criamos os conceitos do que é o que, o que pode e o que não pode. Todos esses conceitos, categorizados por nós, não são automáticos. Automático, o que não se aprende, são os desejos, a atração, as crenças e normas foram inventadas por nós. Nós criamos a heteronormatividade, nós criamos a escravidão, nós criamos o preconceito, nós limitamos a escolha profissional de travestis e transexuais, nós limitamos a convivência pública. Limitamos inclusive nossa sexualidade, você é isso, ou isso ou aquilo. Limitamos o gênero para o binarismo, homem ou mulher, “Quer ser mulher? Então ‘corta o pinto fora’!”. Batam o pé e protestem o quanto quiserem, mas nós inventamos o homem e a mulher.

Deixe de exageros e viva a diversidade de verdade. Muito mais ampla do que a sigla jamais conseguirá representar, muito maior do que conseguiremos categorizar. Falamos do exagero, mas ele tem uma irmã esquecida. Em breve vamos discutir a invisibilidade.

comentários
  1. [...] falamos da Transfobia e começamos a discutir o chamado, e inexistente, exagero. Hoje o foco é grande preconceito existente dentro da chamada “comunidade LGBTT”. Comunidade [...]

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